Cortes na crise
Todos os gestores estão buscando alternativas para não terem suas empresas severamente afetadas pelo “estado de crise” que os negócios devem atravessar.
Uma das soluções mais comentadas são os cortes de pessoal. Algumas empresas iniciaram o processo dando férias, outras ofereceram planos de demissão voluntária, e outras já partiram para as demissões.
O verdadeiro objetivo é “reduzir custos”. Um fato que não se pode deixar de lado é que o corte de custos é algo que deve ser buscado em qualquer situação (com crise ou sem), assim sendo se faz necessária uma ação diferente para enfrentar este momento.
A ação que deve ser priorizada é a da criatividade!!!
Se a empresa já atuava com custos reduzidos, a solução agora é ser criativo, identificando alternativas para manter a empresa operando com lucratividade, mesmo que para isso tenha que quebrar paradigmas e começar a atuar de forma diferente, afinal de contas o objetivo da lucratividade só pode ser atingido se a empresa puder produzir algo que alguém ainda precise!!!
Se uma empresa vendia máquinas e com a crise os clientes não devem investir mais nos próximos meses, o negócio pode ser prestar serviço de manutenção; desta forma a equipe será mantida ativa, o contato com os clientes continuará, e as oportunidades de voltar a vender serão mais facilmente identificáveis.
Ser criativo é estar disposto a quebrar paradigmas e deve ser o foco das empresas, sendo assim, os recursos humanos continuam a ser necessários, pois são as pessoas que podem agregar criatividade e se dispor a quebrar paradigmas. A opção por demissões deve ser considerada só como uma das última opções, e deve estar atrelada a eliminar pessoal que já não vinha sendo adequado às necessidades da empresa, ou que com as novas metas deixam de ser necessárias. Quando a crise acabar as pessoas voltam a ser necessárias e o custo para contratar novos e treinar pode implicar em custos que inviabilizem a empresa.
Nesta linha vale a leitura do artigo da Caroline Mazzonetto para o “Empreendedor.com.br”, que reproduzo a seguir, com comentários de Edison Cunha, diretor da Trevisan Consultoria.
Boa leitura!
Demitir não é a única saída
por Caroline Mazzonetto
Para diminuir custos e manter a lucratividade durante a crise, especialistas recomendam várias alternativas para fugir da demissão de funcionários.
A crise econômica mundial já chegou ao Brasil e está deixando os lojistas preocupados. De acordo com pesquisa do IBGE, a maior probabilidade é que o varejo brasileiro cresça 4% nesse ano – em 2007, o número foi de 10%. Mesmo com o índice positivo, a situação da maioria dos países desenvolvidos, que prevê recessão para 2009 em todos os setores, já faz os lojistas brasileiros pensarem em alternativas para diminuir os gastos da empresa a fim de sobreviver à crise.
“Quando se fala em reduzir custos, a primeira coisa que surge é cortar mão-de-obra. Mas demitir gente deve ser a última conseqüência, porque ao cortar funcionários você reduz o seu poder de mercado”, explica Edison Cunha, diretor da Trevisan Consultoria. Para ele, fazer um mapeamento dos custos e reorganizá-los é uma alternativa mais eficaz às demissões.
Em geral, as empresas não têm uma separação organizada dos custos de produção – o que se gasta com energia, telefonia, água ou material de escritório, por exemplo. Com o mapeamento o lojista define os custos, dos mais aos menos relevantes. “Não adianta fazer cortes pequenos quando você tem custos muito mais relevantes que poderiam ser gerenciados de forma mais adequada”, acrescenta Cunha. Muitos dos gastos também podem ser renegociados, como planos de telefonia e contratos com fornecedores.
Por outro lado, a preocupação não pode se resumir à diminuição dos custos: é preciso também aumentar receitas. O lojista pode fazer um estudo de quais são os produtos e serviços oferecidos que têm margem de lucratividade maior. Dessa forma, os artigos deficitários podem ser eliminados do mix, enquanto os quem dão mais lucro recebem mais investimento. Outra questão é ficar de olho no que o consumidor vai exigir nesse momento de crise. “Talvez ele peça um produto diferenciado. Você pode adquirir um produto B igualmente interessante com preço mais reduzido”, diz o consultor.
O diretor de operação da Human Brasil, empresa de consultoria em Recursos Humanos, Fernando Montero da Costa, ainda cita outras medidas para enfrentar a crise, como economizar com embalagens e utilizar sistemas que tornem as operações mais rápidas e eficientes. Se ainda assim o impacto das reduções não for significativo, há alternativas que não incluem a dispensa dos funcionários: redução da jornada de trabalho, suspensão do contrato de trabalho por um determinado tempo, férias coletivas, regimes alternativos de turnos ou de descanso da mão-de-obra.
“Está se desenvolvendo um nível de criatividade bastante alto, com várias opções, mas isso tem um limite, que é a capacidade do empresário de manter os profissionais”, argumenta Costa. Em alguns casos, os cortes de custos ajudam, mas não são suficientes para conduzir a empresa à lucratividade. “Você vai por fases: diminuir custos e melhorar o mix de produtos para ser mais atrativo. Só depois disso a fórmula é reduzir uma parte da mão-de-obra. Sempre é a última possibilidade”, acrescenta Edison Cunha.
Fonte: Empreendedor.com.br
















